Eu nunca fui simples.
Sempre fui feita de silêncios, detalhes e sentimentos que nem todo mundo tinha paciência para entender. Aos vinte anos, eu ainda estava tentando me encontrar - entre o crochê, o trabalho com o público que me desgastava, e sonhos que pareciam grandes demais para alguém como eu.
Mas eu tinha um desejo claro: construir.
Não só peças feitas à mão, mas algo maior. Espaços. Estruturas. Um futuro onde eu pudesse transformar minha estética, meu gosto pelo gótico, pelo escuro e pelo belo... em algo real.
Quinze anos depois, eu consegui.
Minha loja existe. Meus projetos também. Cada linha, cada traço, cada detalhe carrega um pouco de quem eu sou - intensa, reservada, imperfeita... mas real.
E foi no meio dessa construção que ela entrou na minha vida.
Ela não me apressou. Não tentou me mudar. Não ignorou meus limites, nem fez dos meus erros um motivo para ir embora. Pelo contrário - ela ficou.
E, aos poucos, entre falhas, aprendizados e escolhas diárias, nós fomos construindo algo nosso.
Porque no fim, eu entendi:
algumas coisas não nascem prontas.
Elas são feitas com o tempo, com cuidado...
como linhas que, aos poucos, nos costuram em algo inteiro.
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