Tzuyu sempre soube se esconder.
No começo, era só um hábito evitar perguntas, desviar olhares, caber no que esperavam dela. Com o tempo, virou um talento. Um instinto. Um lugar.
O armário não é só madeira e portas fechadas.
É onde ela aprende a prender a respiração, a silenciar o próprio coração, a existir sem ser vista.
Até Sana.
Sana não bate antes de entrar.
Sana não aceita metades.
Sana olha como se já soubesse como se Tzuyu fosse inteira, mesmo quando insiste em se dividir.
O que começa como um erro que nunca deveria acontecer vira um ciclo impossível de quebrar: encontros no escuro, mensagens que desaparecem, mãos que se soltam rápido demais quando o mundo chega perto.
Tzuyu diz que é só confusão.
Sana nunca acredita.
E, ainda assim, sempre volta.
Mas toda noite tem um limite.
E sempre chega o momento em que Tzuyu acorda ao lado de uma vida segura, previsível... e completamente vazia.
Enquanto isso, Sana aprende a ir embora mesmo sem querer.
Porque amar alguém que só existe entre portas fechadas
é como gritar dentro de um quarto sem janelas:
uma hora, o eco cansa.
Entre culpa e desejo, medo e verdade, Tzuyu vai ter que decidir se continua vivendo no único lugar onde sempre se sentiu segura...
ou se finalmente sai dele,
mesmo que isso signifique perder tudo ou, talvez, finalmente ter alguma coisa de verdade.
All Rights Reserved