"A memória é um museu mal iluminado, onde a gente insiste em limpar o pó de coisas que já deveriam ter sido jogadas no lixo."
Abrir este livro é entrar em um território de escombros e reconstruções. Começamos no escuro, tateando as paredes de uma solidão que tem m², peso e textura. Aqui, o passado não é uma lembrança doce, é um elemento terra que sufoca, uma maleta de couro pesada demais para ser carregada e uma coleção de cartas que servem como prova de que um dia fomos inteiros.
Nestas páginas, você encontrará a crueza de um beijo que foi o primeiro e o último, a risada de uma amiga que foi sumindo até virar saudade plantada no jardim, e a voz de uma menina de anos atrás que ainda ousa perguntar se valeu a pena. Não espere finais de cinema ou promessas de felicidade barata. Espere o som seco da bota no asfalto.
O que você tem em mãos é o registro de uma metamorfose, o momento exato em que o peso do "que passou" deixa de ser âncora para se tornar brisa. Se você já perdeu alguém, se já foi deixado no vácuo ou se ainda guarda envelopes que não tem coragem de queimar, esta história é, secretamente, a sua também.
Respire fundo. O primeiro capítulo é onde o chão começa a ceder, mas é também onde aprendemos que o ar, afinal, é o único lugar onde se pode voar.
Copyright © 2026 Lurdiane Gomes.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida, armazenada ou transmitida de qualquer forma, seja por meios eletrônicos, mecânicos, fotocópia, gravação ou outros, sem a autorização prévia por escrito da autora.
All Rights Reserved