Prólogo - Coroa de Cinzas
Dizem que antes do fogo consumir um reino, ele primeiro sussurra, cresce em silêncio, se infiltra nos corações errados e transforma orgulho em ruína, e foi assim que tudo começou, não com uma batalha, nem com um grito, mas com um homem ferido sendo carregado através da escuridão, sangue marcando o caminho até terras que não lhe pertenciam, até uma mulher que não se curvava a reis, muito menos a príncipes.
Ele chegou sustentado por soldados que ainda ousavam exigir respeito em terras alheias, e ainda assim, mesmo à beira da morte, havia fogo em seus olhos quando encontrou os dela pela primeira vez, um fogo arrogante, irritante, vivo, como o de todos os que carregavam o nome Targaryen, e ela, não se impressionou, não recuou, não temeu, foi ela quem decidiu se ele viveria, foi ela quem o trouxe de volta, e ainda assim, quando ele abriu os olhos e voltou a respirar, não houve gratidão, apenas orgulho ferido e palavras afiadas, porque homens como ele não sabiam agradecer, apenas exigir.
Ele a desafiou, como se ainda estivesse em uma corte cercado de ouro e bajulação, como se sua coroa invisível ainda tivesse peso ali, e ela respondeu como líderes verdadeiros respondem, sem medo, sem reverência, colocando-o em seu devido lugar até que o próprio silêncio entre eles se tornasse mais perigoso que qualquer lâmina, e quando ele ultrapassou limites que não compreendia, quando sua arrogância falou mais alto do que a razão, foi ela quem o expulsou, sem hesitação, sem olhar para trás, deixando claro que, em suas terras, ele não era príncipe, não era nada.
E ainda assim... ele voltou.
Meses depois, não como homem ferido, mas como alguém pressionado pela guerra que consumia Westeros, a Dança dos Dragões já queimava o reino, e mesmo lutando ao lado de Rhaenyra, ele sabia que não venceria aquela guerra, precisava de mais, precisava dela, da força que ela comandava, da tribo que nunca se curvou, e então ele f
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