Dizem que, muito antes dos mares conhecerem piratas e do céu ser apenas céu, o Sol e a Lua não viviam separados.
O Sol era intenso, brilhante demais para ser tocado - alegre, inquieto, esperançoso, sempre queimando com uma energia impossível de conter. A Lua, por outro lado, era calma e silenciosa, guardando em si uma luz suave que não feria os olhos, mas aquecia o coração de quem a contemplava.
Eles se encontravam apenas no limite do tempo, quando o dia começava a ceder espaço para a noite. E foi nesses encontros breves, roubados do destino, que o Sol se apaixonou.
Conta a lenda que, cansado de se despedir todos os dias, o Sol decidiu fazer algo que nenhum astro jamais ousou: pediu a Lua em casamento.
Naquele instante, o mundo parou.
O céu escureceu de forma estranha, como se o próprio universo prendesse a respiração. O Sol se aproximou da Lua como nunca antes, envolvendo-a em sua luz, tentando alcançá-la por completo.
E então... aconteceu o Eclipse.
Foi o único momento em que puderam ficar juntos sem que o tempo os separasse. Um instante raro, proibido, em que o amor deles se tornava visível para todos que olhassem para o céu.
Mas o destino, implacável, não permitiu que durasse. Desde então, dizem que cada eclipse é uma nova tentativa. Um reencontro. Um pedido que ecoa através do tempo.
E talvez... um dia, quando o céu finalmente permitir, a Lua não precise mais partir.
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