Prólogo:
Autor: Pablo França
Eles nunca deveriam ter se encontrado.
Danylo Kovalenko nasceu sob o céu azul e amarelo da Ucrânia, com o coração cheio de raiva por um país que lhe tirou tudo. Aos 21 anos, ele se tornou soldado não por desejo de glória, mas por necessidade de sobrevivência. Seus olhos castanhos carregavam o peso de cidades destruídas, de amigos perdidos na neve suja de Donbas e de uma promessa silenciosa: nunca se curvar diante do invasor.
Aleksandr Volkov, 23 anos, veio das florestas geladas da Rússia. Alto, loiro, com olhos azuis cortantes como lâminas de gelo. Sargento das Forças Armadas da Federação Russa, ele carregava no peito a certeza de que lutava pelo lado certo. Até o dia em que uma emboscada o colocou frente a frente com um ucraniano teimoso que, em vez de morrer, ousou olhar para ele como se pudesse enxergar sua alma.
Dois soldados.
Dois inimigos mortais.
Dois corações que deveriam se destruir.
Mas a guerra tem um jeito cruel de brincar com o destino.
O que começou com sangue na neve, com ódio puro e balas trocadas, lentamente se transformou em algo perigoso e proibido: um desejo que queimava mais forte que qualquer explosão, um toque que doía mais que ferimentos de guerra, e um amor que não respeitava bandeiras, fronteiras ou ordens militares.
Esta não é uma história de heróis.
Não é uma história de vitória ou derrota de nações.
Esta é a história de dois homens que se odiaram com todas as forças do corpo e da alma...
até descobrirem que o maior inimigo não estava do outro lado da linha de frente,
mas dentro do próprio peito.
Uma história de inimigos que viraram amantes.
De beijos roubados em tendas frias e celas escuras.
De dor, culpa, prazer e redenção.
De neve que derrete ao toque de pele quente.
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