Há algo profundamente humano e, ao mesmo tempo, quase invisível no modo como nos afastamos de nós mesmos.
Isso não acontece de uma vez.
Não há um dia exato que possamos apontar.
Nenhum marco claro que anuncie: "a partir daqui, você deixou de ser quem era".
Acontece em silêncio.
Aos poucos, aprendemos a nos adaptar. Observamos o mundo ao nosso redor e entendemos, mesmo sem que ninguém diga, o que é esperado de nós. Ajustamos comportamentos, moldamos respostas, suavizamos partes de quem somos.
Aprendemos o que é aceito.
O que é elogiado.
O que é rejeitado.
E, quase sem perceber, começamos a nos encaixar.
No início, são mudanças sutis.
Depois, opiniões são revistas.
Com o tempo, comportamentos são transformados.
Até que chega um momento em que já não sabemos mais onde termina aquilo que somos e onde começa aquilo que construímos para sermos aceitos.
Este livro nasce desse lugar.
Das histórias que vivi ,reais, imperfeitas, por vezes confusas, mas profundamente transformadoras.
Cada página carrega não apenas reflexões, mas experiências.
E, nelas, existem partes de mim... e, possivelmente, partes de você também.
Este não é um livro sobre se tornar alguém novo.
É um convite.
Um retorno para antes do medo.
Antes da necessidade de aprovação.
Antes da ideia de que era preciso se moldar para pertencer.
Ao longo destas páginas, talvez você perceba algo essencial:
você nunca deixou de ser quem é.
Apenas se afastou.
E este livro existe, sobretudo, para isso:
te ajudar a lembrar o caminho de volta.
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