"Quando o sol mergulha no horizonte de Veridian, a floresta deixa de ser um lar e se torna uma bocarra aberta."
Para o povo da região, a regra é absoluta, passada de geração em geração como um mandamento de sangue: ninguém fica na mata após o crepúsculo. O motivo não são as onças ou os jacarés, mas algo muito mais antigo, uma força colossal que range entre as árvores e desliza com o peso de mil anos.
Caetê, aos 14 anos, aprendeu da pior forma que a curiosidade infantil tem um preço alto. O que começou como uma brincadeira entre ele e sua irmã mais nova, Sumaúma, transformou-se em um pesadelo de raízes e sombras. No coração da selva densa, o tempo corre diferente, e quando perceberam, o "fechar da noite" os engoliu.
Agora, o silêncio da mata é interrompido por um som que faz o chão vibrar: o estalar rítmico de centenas de patas negras e o deslizar de escamas de ébano. A Boiúna despertou. Com seus cem metros de escuridão pura, ela não caça por fome, mas por direito.
Perdido, e sentindo o hálito úmido da morte em seu pescoço, Caetê está, ele tem apenas uma faca de mato, o medo paralisante de Sumaúma para proteger e uma única chance de sobreviver até o amanhecer - se a floresta permitir.
Em Veridion, a noite não é apenas a ausência de luz. É o território da Serpente Negra.
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