Travessia para a Felicidade
Meu nome é Maria Fernanda Fontes Jeong ou Jeong Mari como preferir me chamar. Tenho 30 anos, sou psiquiatra, coreano-brasileira, cadeirante - e carrego cicatrizes que ninguém vê. Moro em Dourados, no Mato Grosso do Sul, com meus pais e minha irmã mais nova, tentando equilibrar uma rotina aparentemente estável com um passado que insiste em não me deixar esquecer quem eu precisei me tornar para sobreviver.
Desde cedo, aprendi a lidar com o preconceito e com a dor de ser vista antes pela cadeira de rodas do que por quem eu realmente sou. Tudo se tornou ainda mais difícil quando meu pai sofreu um acidente grave e entrou em coma, mudando para sempre a dinâmica da minha família - e a minha forma de enxergar o mundo.
Mesmo assim, continuei. Não sem marcas. Acreditei que merecia ser feliz e permiti que o amor entrasse na minha vida na forma de Ravi Monteiro, o astro sertanejo do momento. A desilusão que veio depois não apenas partiu meu coração, mas abriu feridas que eu jurava estarem cicatrizadas.
Do outro lado do mundo, em Seul, existe um homem que eu ainda não conheço, mas que carrega dores semelhantes às minhas. Park Jin Ho foi um ator promissor até confiar na pessoa errada e perder tudo: a carreira, a reputação e a mulher que amava. Assim como eu, ele aprendeu a sobreviver desconfiando de tudo - inclusive de si mesmo.
Seguimos vivendo como podemos, fingindo que os traumas não nos moldaram, até que o destino decide nos colocar frente a frente. Quando nossos caminhos se cruzam, percebo que ele é o espelho que reflete tudo o que levei uma vida inteira tentando esconder.
Talvez algumas pessoas entrem na nossa história não para nos salvar, mas para nos lembrar de que ainda somos capazes de sentir. E, quem sabe, de amar novamente.
✨ Porque às vezes a cura começa quando alguém enxerga a nossa dor - e escolhe ficar.