A primeira coisa que Marian percebeu foi que algo estava fora do lugar.
Não era nada óbvio. Nada que alguém apontaria e diria "aqui". Mas estava ali, na forma como o vento atravessava a janela entreaberta ou no jeito como a casa parecia observar.
Ela ficou parada por alguns segundos, ainda na porta, tentando entender de onde vinha aquela sensação incômoda. Como se tivesse esquecido algo importante, ou como se algo tivesse sido deixado para trás de propósito.
O silêncio ajudava a piorar tudo.
Luiza, chamou, quase por reflexo.
Nenhuma resposta.
Marian franziu levemente a testa e deu alguns passos para dentro. A bolsa ainda pendia de um dos ombros, esquecida, enquanto seus olhos percorriam o ambiente com mais atenção.
Tudo parecia normal.
E, ainda assim, não estava.
Foi quando ela viu.
Sobre a mesa.
Um objeto pequeno, simples, que definitivamente não estava ali antes.
Marian se aproximou devagar, o coração começando a bater um pouco mais rápido, não de medo exatamente, mas de uma inquietação difícil de explicar.
Seus dedos pairaram no ar por um instante antes de tocar.
Havia algo estranho naquilo.
Familiar demais e, ao mesmo tempo, deslocado.
Como uma mensagem.
Ou talvez um começo.
Sem saber exatamente o porquê, Marian sentiu um arrepio subir pela espinha.
E, naquele momento, uma certeza silenciosa se instalou dentro dela.
Algumas coisas não terminam quando deveriam.
Algumas apenas começam depois.
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