Silhante

Silhante

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WpMetadataReadComplete Wed, Apr 15, 2026
Midnight é a extensão da dor que carrego no íntimo; dei vida a ela para que pudesse gritar o que eu calo e para enganar, por alguns instantes, a solidão que insiste em morar na minha alma. Talvez ela não exista. Eu? Provavelmente sim. Mas há dias em que desejo ser tão invisível quanto as lágrimas que caem do céu de Silhante, ou como o chão úmido que nos toca como se nos estimasse. Convido você a sentir o doce amargo da solidão neste mundo que criei - um lugar onde tentei fugir tanto de mim, que acabei abrindo espaço demais para lugar nenhum.
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Eu tinha dezessete anos quando aprendi que algumas pessoas não entram na sua vida, invadem. Meu nome é Lucy Campbell. Cresci em Belo Horizonte, carregando um silêncio que começou aos nove anos, no dia em que perdi meus pais em um acidente de carro. Desde então, minha avó e meu melhor amigo se tornaram meu mundo. Eles e o meu cachorro, o único presente que ainda me lembrava que alguém, em algum lugar, se importava comigo. Diziam que eu continuava doce, gentil... talvez porque eu ainda acreditasse que o amor podia ser seguro. Eu estava errada. Matteo Ricci nunca acreditou em segurança. Aos quatorze anos, matou o próprio pai. A mãe morreu ao trazê-lo ao mundo. Aos trinta e dois, ele comandava uma das maiores máfias da Itália, e não pedia permissão para nada. Frio. Calculista. Possessivo. Quando seus olhos recaíram sobre mim, não foi desejo. Foi decisão. Ele não me escolheu. Ele me tomou. Eu não sabia quem ele era no começo. Só sentia o peso da presença dele, a forma como o ar mudava quando Matteo entrava em um lugar, como se o mundo inteiro soubesse que deveria se curvar. Ele dizia que eu era dele. Que sempre fui. Que resistir só tornaria tudo pior. E talvez o pior não tenha sido o medo. Talvez tenha sido perceber que, por trás do monstro que me aprisionou, existia algo ainda mais perigoso: um homem capaz de mostrar um lado que ninguém deveria conhecer. Esta não é uma história de amor comum. É sobre poder, controle, sobrevivência... E sobre o preço de chamar a atenção do homem errado. Ou do único homem que jamais me deixaria ir.

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