Nas entranhas de uma villa em ruínas, onde o tempo parece ter estagnado entre pedras e musgos, habitava uma jovem de palidez espectral. Sua pele, de uma brancura alva que rivalizava com a plumagem de um cisne sob o inverno, contrastava violentamente com a cascata de seus cabelos - fios ondulados na cor de sangue fresco, que pareciam carregar o peso de uma herança trágica.
Seus olhos, cristais azuis de uma transparência gélida, refletiam o abismo das águas profundas.
Enquanto colhia flores entre os escombros, a melancolia a sitiava. Não era um sentimento sutil, mas uma presença aguda, como uma flecha de ponta farpada cravada no peito de um cavaleiro agonizante.
As línguas cruéis do vilarejo sussurravam o veredito: bruxa. Mas como poderia uma alma tão devota, de gestos tão sacros, nutrir um fascínio inexplicável pelos horrores da floresta? O povo não compreendia que sua insegurança era sua armadura, e sua aura sedutora, apenas o reflexo de uma dor indizível. Ela guardava um segredo que florescia na mesma sombra onde os outros temiam pisar.
Ao horizonte, onde as montanhas da Romênia rasgam o céu cinzento, ocultava-se o motivo de sua perdição. Uma entidade medonha, cuja existência desafiava a sanidade humana - algo que apenas alguém à beira do colapso emocional poderia reconhecer. O corpo da criatura era um mapa de cicatrizes abundantes, testemunhas de uma queda ou de uma punição eterna.
Ali, entre os picos isolados, ele esperava. Seria um anjo expulso do paraíso ou um príncipe acorrentado a uma linhagem maldita? Para o mundo, um monstro. Para ela, o único espelho capaz de refletir sua própria alma.
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