A coroa é minha. Ela também
Antes do gelo, havia o fogo do amor.
Antes do silêncio de um trono vazio, havia risos que ecoavam nos corredores de pedra de Thalnor.
Aline, de vinte anos, não carregava o peso de uma coroa, mas sim a leveza de uma promessa. A promessa feita a Dante, seu príncipe, seu amor, sob um céu salpicado de estrelas no verão em que tudo era possível. Ele era seu sol, e ela, a terra que florescia sob seu olhar.
O Reino de Thalnor respirava paz. O Rei Alistair, sábio e justo, governava com a força tranquila de quem conhecia o peso e o preço da coroa. A Rainha Elara, sua estrela-guia, era o coração pulsante do reino. O futuro era uma tapeçaria brilhante, pronto para ser desenrolado, com Aline e Dante no centro, destinados a guiar Thalnor para uma nova era.
Mas o destino, como um rio subterrâneo, tem correntes ocultas. E nas profundezas mais escuras, onde nem a luz do sol nem o calor do amor conseguem chegar, coisas antigas e famintas aguardam seu momento.
Uma noite, sem aviso, o sol se apagou. O príncipe e o rei desapareceram, tragados pela escuridão que se ergueu das fronteiras do reino como um sopro venenoso. A paz despedaçou-se. A guerra, uma fera adormecida, despertou.
E no centro do furacão, deixada para trás com um anel pesado e um coração partido, ficou Aline. A garota que só sabia amar foi forçada a aprender a governar. A aprender a ser de granito por fora, enquanto por dentro sangrava por dois homens perdidos.
Cinco invernos se passaram. A "Rainha de Gelo", como agora a chamavam, mantinha o reino de pé com mãos frias e uma teimosia que era seu único combustível. O mundo acreditava que ela governava sobre cinzas e memórias.
Mas Aline guardava um segredo, uma chama que nem o gelo mais profundo conseguira extinguir: a certeza silenciosa, teimosa e irracional, de que seu sol não estava apagado. Apenas... oculto.