INTERLIGADOS

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WpMetadataNoticeLast published Fri, May 29, 2026
Aoife Mackgray Existem coisas que nos encontram, ou nós a encontramos. Depois que eu entendi o que era a Ordem, percebi que o erro não foi chegar perto... foi olhar. Porque olhar é aceitar o convite que ninguém vê sendo feito. E, quando você aceita, mesmo sem saber, alguma coisa em você passa a pertencer a eles. A Ordem não nasce. Ela existe. Não tem começo, não tem explicação, não tem um momento em que alguém decidiu criá-la. Ela é o que sobra quando todas as regras apodrecem. É o sangue do caos correndo nas veias do mundo. Dentro dela, cada dia é uma morte. E cada morte... é só mais um dia. Ela é mais antiga do que qualquer memória que eu poderia carregar. Mais velha que meu pai, que o pai dele, que todos os nomes que vieram antes do meu. Existia quando o certo e o errado ainda não tinham sido separados, quando tudo era apenas... vontade. E talvez seja por isso que nada ali faz sentido pra gente. Porque o que é errado pra nós, pra eles é lei. Eu devia ter ido embora, simplesmente ignorado, mas eu nunca fui boa nisso. Se eu não tivesse dado aquele soco no rosto dele, se eu tivesse engolido o orgulho, abaixado a cabeça, seguido em frente como qualquer pessoa normal faria... talvez nada disso tivesse acontecido. Talvez eu ainda fosse só mais alguém vivendo uma vida pequena, segura, esquecível. Mas eu bati. E foi como abrir uma porta que não fecha mais. Agora eles estão em todo lugar. No silêncio, no escuro, nas pausas entre um pensamento e outro. Eu sinto como se estivessem me puxando por dentro, como se algo em mim tivesse respondido quando eles chamaram, e eu nem percebi. Eu não estou só com medo. Eu estou sendo consumida. Curiosidade. Desejo. Sensações doentias de que, talvez, eu sempre tenha sido um pouco deles antes mesmo de saber que eles existiam. Eu preciso de salvação. Eu sei disso. Mas se eles são mesmo o pecado vivo, como dizem... então me perdoa, Deus. Porque eu não sei se ainda quero ser salva
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