Cor, brilho, felina, dourada, pele macia, assim diziam sobre Juma, como se descrevessem mais uma criatura da mata do que uma mulher. No coração do Pantanal, distante de qualquer sinal de cidade, ela vivia com a mãe em uma casa isolada, cercada pelo silêncio espesso e pelos mistérios da terra. Sussurros corriam entre os poucos que ousavam falar delas: à noite, viravam onça. Talvez por medo, talvez por respeito, homem nenhum se atrevia a chegar perto.
Mas o mundo além da mata seguia seu curso. José Leôncio, dono da maior fazenda da região, impunha sua presença como lei naquele território vasto. E, vinda da cidade, Mandy carregava consigo o contraste, curiosa, inquieta, alheia às lendas.
O encontro entre esses mundos não seria suave. Nem poderia ser.
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