Os Sete - Crônica do Perdido

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WpMetadataNoticeLast published Fri, May 1, 2026
Do solo velho escapa algo que os cários nunca entenderam e os cânticos sacros jamais previram de certo; a magia profana de raiz torpe e senciente, que se entremeia pelas terras de Selandorne, a corromper colheitas, enlouquecer homens e dissolver, aos poucos, a fronteira patética entre o vivo e o que deveria estar morto. Os grandes lares fecham suas portas e aferrolham suas janelas diante da mais sombria das desgraças. Os reis convocam conselhos que não chegam a conclusão alguma senão o desespero certo, porque não creram. O inverno que desce sobre o mundo não se parece com nenhum outro que os mais velhos recordem, mas quando se trata de trivialidades e ritos patéticos, os mais velhos recordam em demasia o que não lhes convém. Há uma profecia. "O Perdido nascerá entre chamas e erguer-se-á diante da morte, bradindo o aço mais prateado de todos os reinos, a refletir o último raio de sol." Poucos a creem. Menos ainda sabem o que ela quer dizer, pois são estúpidos. O que sobra ao mundo, enquanto a ignorância sobrepujá-los, é a terrível constatação de que apodrecerá em quietude.
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