O Breve Voo das Bernacas

O Breve Voo das Bernacas

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WpMetadataNoticeLast published Sat, May 30, 2015
Numa manhã, a rua Aluísio Azevedo é tomada por uma hedionda imagem: a cabeça do filho de Jacira rola morta pelo calçamento. O corpo do menino de dois anos está ausente. A mãe, que em termos de espírito se aparenta a uma rocha, uiva como bicho aquela dor sem teto. "O Breve Voo das Bernacas" conta a trajetória de Jacira, a morena desejada das gentes que, vítima da própria beleza, sofre as dores de um mundo cada vez mais animal e irracional: o nosso. A história se passa na Paraíba, em meados dos anos 2000. Um trecho do primeiro capítulo: "Jacira olhou a cabeça do seu filho, que repousava mansamente sobre os paralelepípedos. Os olhos semicerrados da criatura estavam tão sublimes que quase se fazia esquecer a ausência do seu corpo. O sangue aguando a dureza da rua Aluísio Azevedo. Começara a se formar em volta da hedionda cena uma pequena multidão de curiosos. A jovem mulher não se aguentou de pé, e rompeu em choro e gritos ao perceber que seu filhinho, que há pouco iniciara a vida, estava ali, morto. O espírito de um Cabeleira qualquer teria passado pelo pescoço de sua criança, de quem cujo único erro que se tinha notícia era o da própria origem. Os miolos pareciam escorrer da garganta. As mulheres que se aproximavam da cabeça, compadeciam-se, pela primeira vez, da Jacira. Os homens se entreolhavam, e compartilhavam todos uma dor implícita, tácita como uma alma. Ninguém viera abraçar a pobre mulher, que agora agarrara a cabeça da criança e, em meio às lágrimas e qualquer coriza que lhe escorria do nariz, beijava a testa sem corpo daquela criaturinha de dois anos de idade. A mãe não entendia o motivo do breve voo. E, no entanto, culpava-se. Mas culpava ainda mais o desejo dos homens, a mania da carne e o fulgor do desejo. Estava ali, agora, com a cabeça do seu menino a rolar pelas mãos, e talvez tivesse mesmo de sepultá-lo sem o corpo, vendo apenas os seus olhos fechados pela janelinha do caixão." Jandira te espera. A port
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AVISO:‼️ Não aceito qualquer tipo de plágio deste livro. Passei dias e noites escrevendo, me dedicando a cada capítulo para criar uma história que realmente prendesse vocês, que fizesse cada cena ganhar vida na sua imaginação. Cada palavra aqui foi pensada, sentida e escrita por mim - é um pedaço do meu tempo, da minha criatividade e do meu coração. Respeitem meu trabalho como eu respeitaria o de qualquer autor. Se esta história te emocionou, te fez sorrir ou te deixou ansioso para saber o que viria a seguir, lembre-se: tudo isso veio de um esforço genuíno. Apoiar autores independentes é permitir que mais histórias incríveis sejam contadas. (PREFÁCIO) Apollo nunca acreditou no amor à primeira vista. Até aquela noite. Ela estava ali, na penumbra da varanda, envolta pela brisa morna e pelo mistério da escuridão. Helena. A garota cujo rosto ele mal conseguiu ver, , mas que de alguma forma, despertava nele algo tão familiar quanto o próprio reflexo no espelho. Havia algo na voz, nos gestos, no silêncio entre as palavras - algo que lhe tocava a alma como uma melodia esquecida que finalmente encontrava o caminho de volta. O que Apollo não sabia era que aquela mulher, naquele instante, não era um encontro casual. Era destino. Era passado voltando com força, exigindo respostas, abrindo feridas há muito cicatrizadas - ou assim ele pensava. Ele estava enganado. Porque ele a conhecia mais do que ousava admitir. Porque ela carregava segredos que pertenciam a ele, mesmo antes de se conhecerem. E quando a verdade viesse à tona, quando o rosto por trás da sombra fosse finalmente revelado... nada mais seria como antes. Aquela noite virou sua vida de cabeça para baixo. E o que começou com um olhar, terminaria com revelações que poderiam destruí-lo - ou libertá-lo.

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