A Hellsing não consta em nenhum registro. Não há selo real em seus documentos, nenhuma menção nos canais do Parlamento. Apenas sangue - o sangue de Abraham Van Helsing, que há séculos jurou que as criaturas da noite jamais prevaleceriam sobre a Inglaterra. Agora, sob o punho de ferro de Sir Integra Fairbrook Wingates Helsing, a Mansão Hellsing ergue-se em Londres como um véu entre o mundo que dorme e o que desperta faminto.
Mas até mesmo Integra desconhecia o que dormia na filial de Petersburgo.
1781. Um laboratório soviético, escavado nas entranhas da terra como uma ferida purulenta. Mulheres arrancadas das ruas, vampiros aprisionados em jaulas de prata - tudo para criar o impossível: uma Dhampir, híbrida de vida e morte, arma viva de uma Revolução que ninguém ousaria nomear. As cobaias morriam. Os fetos apodreciam. Até que, num ato de desespero final, cientistas reduziram mulheres a receptáculos monitorados, acasalamento reduzido a equação, gestação a protocolo. E uma sobreviveu. Uma nasceu.
A menina não teve nome - apenas número. Não teve berço - apenas cela. Não teve mãe - apenas o estalar de jalecos e o cheiro de formol.
A destruição do laboratório veio como fogo do céu. Ou do inferno. Documentos queimaram. Cientistas gritaram. E das ruínas, a Hellsing de Petersburso arrancou uma criança de olhos que refletiam tanto a lua quanto o sol, criando-a nas sombras ainda mais profundas da Rússia.
Sarcenack.
O nome lhe foi dado como arma se dá nome: para ser invocada.
A carta chegou numa manhã cinzenta. Transferência imediata para Londres. Serviço direto sob Sir Integra. E - aqui o papel pareceu pesar mais - parceria com o maior trunfo da Organização. Não um agente. Não um caçador.
O próprio monstro.
Vlad III Draculea. Vlad, o Empalador. Alucard - o que significa tudo e seu inverso, nome invertido como mentira que se tornou verdade maior que o próprio vampiro.
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