- Que vos abençoe Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo.
Ao fim da missa, esperava-se que os devotos se levantassem mais leves do que chegaram. Como se deixar o banco da igreja também significasse deixar para trás os medos, as culpas e os pensamentos ruins. Mamãe dizia que a missa limpava a alma.
Mas às vezes as coisas eram mais complicadas do que isso.
Existem vazios que não desaparecem com orações ou hinos de domingo. Vazios que precisam ser preenchidos com outra coisa.
Com amor.
Mamãe me falou sobre amor uma vez - ou melhor, eu praticamente obriguei ela a falar. Eu tinha quatorze anos e finalmente tinha recebido permissão para dormir na casa da Julya, junto com Esther. Naquela noite, escondidas, vimos uma cena de romance na televisão. E foi simplesmente incrível.
Como um sentimento invisível podia transformar alguém daquele jeito? Como pode mudar uma pessoa de dentro para fora?
Talvez eu não esteja explicando direito.
Vou ser direta: eu quero amar.
Parece a coisa mais bonita do mundo.
Passei anos sendo uma boa filha. Fiz tudo como mamãe mandava. Como papai esperava. Como Deus devia se orgulhar de ver. E agora, faltando apenas dois meses para eu completar dezoito anos, acho justo esperar alguma coisa em troca.
Talvez um namorado.
E, bem... se Deus não me mandar um, talvez eu mesma tenha que procurar.
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