chuva caía fraca sobre a cidade naquela madrugada silenciosa. As ruas estavam vazias, iluminadas apenas pelos postes amarelados e pelos reflexos molhados no asfalto. Dentro do carro, o silêncio entre Lorena e Juquinha parecia alto demais.
Não era um silêncio ruim.
Era daqueles que acontecem quando duas pessoas sentem coisa demais e nenhuma delas sabe por onde começar.
Lorena observava a chuva pela janela enquanto tentava esconder o sorriso bobo que insistia em aparecer desde o momento em que Juquinha segurou sua mão pela primeira vez naquela noite.
Já Juquinha dirigia devagar, como se quisesse prolongar cada segundo ao lado dela.
Porque depois daquela noite... tudo tinha mudado.
O jeito que os olhos delas se procuravam.
O jeito que as mãos se encaixavam naturalmente.
O jeito que o coração acelerava sem pedir permissão.
Nenhuma das duas teve coragem de dizer em voz alta o que estava acontecendo. Talvez porque soubessem que, quando fosse dito, não teria mais volta.
E, no fundo, nenhuma queria voltar.
Quando o carro parou em frente à casa de Lorena, a chuva aumentou um pouco. Ela respirou fundo antes de abrir a porta, mas Juquinha segurou delicadamente seu pulso.
- Lorena...
A morena virou lentamente.
Os olhos das duas se encontraram outra vez.
Intensos.
Confusos.
Apaixonados.
- Depois dessa noite... eu acho que não consigo mais fingir que isso aqui não mexe comigo.
Lorena sentiu o coração disparar.
E pela primeira vez em muito tempo, ela não quis fugir do que sentia.
Ela apenas sorriu de leve, aproximando o rosto do dela.
- Então não finge mais.
E foi naquele instante, entre chuva, olhares e sentimentos guardados por tempo demais... que a história delas realmente começou.
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