Um Ômega que tem dificuldade na fala se vê em apuros ao chamar a atenção de uma Alfa extrovertida A primeira vez que Aurora Bellerose entrou na Universidade Westbridge, parecia que ela já conhecia o lugar inteiro. Ela sorria pra desconhecidos. Perguntava nomes. Comentava sobre qualquer coisa sem vergonha nenhuma. Em menos de dois dias, metade do campus sabia quem era a garota francesa do intercâmbio que cursava Fonoaudiologia. Aurora era o tipo de pessoa que ocupava espaço naturalmente. E isso irritava profundamente Kael Vasconcellos. Não porque ele não gostasse dela. O problema era justamente o contrário. Kael cursava Fonoaudiologia no sexto período e dividia duas matérias optativas com alunos de outros semestres. Foi assim que ele viu Aurora pela primeira vez, entrando atrasada na sala de Neurocomportamento com um café na mão e pedindo desculpas rindo. Todo mundo riu junto. Menos ele. Porque desde o instante em que ela passou pela porta, o lobo dele ficou inquieto. Companheira. Companheira. Companheira. A palavra veio forte, absurda, impossível. Kael travou imediatamente. Aquilo não podia estar acontecendo. Aurora era uma alfa. Ele conseguia sentir isso mesmo com os supressores dela abafando completamente o cheiro natural. O instinto ainda reconhecia pequenas coisas: postura, voz, presença. Mas ela provavelmente nem sabia. Nem sentia nada. Supressores bloqueavam quase tudo. Já Kael... Sentia demais. Ele desviou os olhos rápido antes que ela percebesse que estava encarando. A última coisa que precisava era chamar atenção.
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