É meio engraçado como às vezes, julgamos os outros mal. Bem mal.
E ainda mais, como quase sempre o que nos incomoda mesmo nem é o que fazem, mas... o que não podemos fazer.
Sabe, minhas férias deveriam ser tranquilas.
Tardes no ateliê, manhãs gastas com chinelos roubados...
Mas como poderiam, quando o túmulo sob o ipê ainda sussurra memórias do passado? Quando parentes interesseiros maldizem sua vida pelas costas? Quando a sombra da morte parece pairar sobre você?
....
Comprar um apartamento, montar um ateliê, descobrir como impedir Mimi de afiar as garrinhas nos carretéis de linha...
Era só o que precisava para conquistar minha independência - e um pouco de paz de espírito.
...até me deparar com o mar de favores e respostas curtas que viviam em seu silêncio. E com o cotidiano pacato de um apartamento na Praça da Liberdade.
Lucas era estranho.
Não muito agradável.
Mas bonito, composto, e me devia um favor.
Um modelo me permitiria confeccionar ternos, roupas masculinas, ampliar minha clientela e, ainda, garantir que minha carreira de alfaiate se iniciasse já com alguma estabilidade.
Então, vi ali uma oportunidade.
No entanto... seu humor questionável, sua teimosia orgulhosa, a tinta, o glitter e os adesivos - e aquela dualidade adorável que via sempre que cortejava Mimi... - logo sufocaram o profissionalismo que insistia em performar, e não demoraram a pôr em xeque meus sentimentos...
E cada uma das minhas convicções.
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⚠️Pequeno aviso⚠️
Existe uma cena quente no final do último capítulo.
É recomendável que - caso seja um leitor mais sensível ou não goste, evite a leitura.
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