Sinopse - O Inverno Antes de Viena
Helena Soares sempre acreditou que algumas cidades nos esperam antes mesmo de sabermos que estamos a caminho delas.
Durante anos, viveu com a sensação discreta de estar entre duas vidas: a que todos viam e uma outra, silenciosa, feita de presságios, intuições e perguntas que nunca ousava dizer em voz alta. Havia nas suas mãos uma inquietação antiga - linhas fundas, delicadas, contraditórias - como se nelas estivesse escrito não o futuro, mas a memória de uma mulher que ainda não tinha aprendido a pertencer a si mesma.
Quando decide viajar para Viena, no fim de um inverno emocional que quase a apagou, Helena pensa estar apenas a fugir. Da rotina. Do cansaço. Da mulher que se tornou por necessidade. Mas a cidade recebe-a como quem reconhece uma filha perdida.
Entre museus, escadarias imperiais, cafés iluminados por candelabros e salas onde os mortos parecem continuar a respirar dentro das molduras, Helena cruza-se com Adrian Falkenberg, um historiador de arte reservado, elegante e impossível de decifrar. Há anos, Adrian investiga o desaparecimento de Clara von Altenburg, uma pintora austríaca do século XVIII cuja existência foi quase apagada da História.
Mas Viena não revela nada depressa.
A cidade abre-se lentamente, como uma carta antiga. Cada palácio, cada janela, cada quadro e cada silêncio conduzem Helena para mais perto de Clara. E quanto mais ela descobre sobre a mulher esquecida, mais percebe que talvez a história de Clara não esteja morta. Talvez tenha apenas esperado por outra mulher capaz de a escutar.
Entre o amor que nasce sem pressa, o medo de ser vista e a suspeita de que algumas heranças não pertencem ao sangue, mas à alma, Helena terá de enfrentar a pergunta que sempre a perseguiu:
E se aquilo que procuramos numa cidade for, na verdade, a parte de nós que deixámos enterrada noutro tempo?
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