Ivan sempre acreditou que existir deveria significar alguma coisa.
Enquanto as pessoas ao seu redor pareciam atravessar a vida sem precisar responder às grandes perguntas, ele transformou a busca por sentido em uma necessidade. Não bastava viver. Era preciso compreender. Não bastava compreender. Era preciso justificar. E não bastava justificar a existência em si - era preciso justificar a própria.
Afinal, se não houvesse uma razão para ser quem é, o que restaria dele?
Mas toda resposta produz uma nova pergunta. Toda certeza produz uma nova dúvida. E toda tentativa de construir uma identidade sobre conclusões definitivas acaba esbarrando em uma realidade desconfortável: a de que nenhuma delas dura para sempre.
À medida que suas convicções começam a ruir, Ivan atravessa diferentes formas de enxergar a si mesmo e ao mundo: a vaidade escondida sob a inação, o sofrimento transformado em identidade, a obsessão pela consciência e o fascínio pela própria existência. Em cada etapa, aquilo que parecia libertação revela ser apenas outra prisão construída com palavras mais sofisticadas.
Porque o que ele realmente teme não é estar errado.
É descobrir que, sem suas explicações, talvez não saiba quem é.
Como se Destruir com Palavras Bonitas* é um romance sobre identidade, consciência e a tentativa desesperada de encontrar um lugar para si mesmo em um universo que nunca prometeu fornecer respostas.
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