Minha mãe morreu há 6 meses. No velório, ela tava com a mão fechada. Quando abriram, tinha um olho seco, do tamanho de uma moeda, no meio da palma.
O padre mandou queimar. Eu guardei.
Desde então, todo espelho da casa racha sozinho às 3h13. Não quebra. Só racha. Como se algo de dentro quisesse sair, mas não coubesse.
Ontem eu quebrei a regra. Coloquei o olho da mão dela na frente do espelho do banheiro.
O reflexo piscou antes de mim.
Ele sorriu. Eu não sorri.
Naquela noite, acordei com 9 mãos segurando meus pulsos, tornozelos e pescoço. Não tinham corpo. Só braços magros saindo da parede, da cama, do chão. E cada mão tinha um olho aberto no centro da palma.
Eles não falam. Eles mostram.
Quando um olho pisca, você vê uma memória que não é sua. Vi minha mãe aos 7 anos, escondida debaixo da cama, olhando pra cima. E lá em cima, no escuro, centenas de olhos me olhando de volta.
Minha mãe não morreu de câncer. Ela morreu porque parou de piscar por 3 dias. Disse que se piscasse, eles viam que ela tinha medo.
Agora eu entendo.
Eles não querem te matar. Eles querem que você vire o lugar onde eles se escondem. Um corpo, um quarto, um reflexo. Qualquer coisa que pisque.
O olho da mão da minha mãe tá em cima da minha cômoda agora. Ele não pisca. Mas eu vi as veias dele se mexendo.
Se você olhar pra uma foto com muitas mãos e olhos na escuridão e sentir que um dos olhos te seguiu quando você virou o celular...
Não apaga a foto.
Apaga a luz.
E conta quantas vezes você consegue ficar sem piscar antes deles te acharem.
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