Lágrimas de Sal e Alfazema acompanha a vida rústica e exaustiva de Jorel, um herbolário de poucas palavras que carrega, sob as camadas de lã de seu casaco, o peso do trabalho manual e de um segredo gélido. Durante o dia, sua rotina na litorânea Vila Costeira é ditada pelas contas impiedosas de sua irmã pragmática, Clara, pelas histórias absurdas do Velho Tobias e pelo cheiro sufocante de peixe seco e ervas esmagadas. A cidade ferve em uma inquietação festiva enquanto se prepara para o Festival da Lua Cheia. No entanto, quando o barulho da vila cessa e a neblina salgada rasteja pelas ruelas de pedra, Jorel vira as costas para o calor humano. Longe dos olhos curiosos, ele inicia uma subida traiçoeira rumo ao topo de um penhasco isolado, onde repousa a silhueta arruinada de uma velha igreja de pedra. Lá dentro, na escuridão do antigo altar, reside uma alma atormentada. Em um mundo de fantasia onde os deuses e heróis costumam roubar a cena, esta é uma história sobre o horror primordial, o sacrifício cotidiano e os laços não ditos. O que leva um homem comum a doar sua própria vitalidade para fazer companhia a um fantasma?
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