O impacto foi uma sinfonia de caos: o som ensurdecedor do metal retorcido, o estilhaçar agudo do vidro e, subitamente, um silêncio cruel. Min Yoongi não conseguia resgatar a sequência exata dos fatos; restavam-lhe apenas fragmentos desconexos de um pesadelo. O volante escapando por entre os dedos, o eco de um grito desesperado e um nome que morreu em sua garganta antes que a escuridão o engolisse por completo. Quando a consciência finalmente retornou, o mundo era um lugar distante, tingido pelo branco artificial e pelo cheiro estéril de hospital. O ar parecia saturado de desespero e, no tom cauteloso do médico, Yoongi encontrou a confirmação de que sua vida jamais seria a mesma.
Dias depois, em meio ao entorpecimento do luto e à frieza de papéis burocráticos, ele tomou uma decisão extrema, um último ato de desprendimento para que o fim não fosse absoluto. Se a vida que ele amava havia se apagado, que o sopro de existência que restava pudesse salvar desconhecidos. Ele assinou os documentos de doação de órgãos sem olhar para trás, ignorando que, naquele mesmo instante, em outra ala hospitalar, o destino de uma estranha era reescrito. Uma segunda chance surgia envolta em sombras e batidas insistentes, carregadas de uma energia que a ciência jamais saberia explicar.
Meses se passaram, e o luto de Yoongi agora tinha um nome e um choro inconsolável: Olivia. No silêncio de seu pequeno apartamento, a bebê se debatia em seus braços, os pulmões pequenos lutando contra um mundo que parecia grande e assustador demais. Yoongi, exausto e perdido em sua própria dor, tentava em vão acalmá-la, mas nada parecia preencher o vazio que a criança sentia. Foi quando uma voz suave, vinda de algum lugar perto da entrada, rompeu o caos. Ao erguer o olhar, ele encontrou uma mulher que nunca vira antes, mas que carregava algo perturbador em sua presença.
O milagre aconteceu no instante em que ele saiu para o corredor, movido por um instinto que não soube nomea
All Rights Reserved