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Meu Leitor Mais Íntimo

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WpMetadataNoticeLast published Sat, Jun 27, 2026
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ERIKA Existe uma pergunta que nenhum entrevistador tem coragem de fazer de verdade. Não a versão polida, embrulhada em jargão literário "De onde vem sua inspiração para retratos tão viscerais da violência?" Não essa. A versão real. A que fica suspensa no ar durante todas as entrevistas que já dei, invisível e pulsando, enquanto o gravador registra e as luzes do estúdio esquentam e o entrevistador sorri com os dentes brancos de quem aprendeu que sorrir é uma forma de não dizer o que pensa. A pergunta é esta: "Você gosta disso?" E a resposta, a honesta, a que guardo como se fosse a última coisa verdadeira que ainda possuo é simples. Sim. Sem ressalva. Sem culpa. Sem o menor interesse em me curar de alguma coisa que nunca me pareceu doença. Escrevo assassinos porque me entendem. Porque não mentem, não fingem, não olham para mim com aquela mistura específica de admiração e desconforto que todo mundo usa quando não sabe como lidar com uma mulher que não pede desculpa por existir. Escrevo porque cada cena que coloco no papel é uma confissão que o mundo aceita chamar de ficção, e ficção é a única liberdade que ainda me deixam ter sem exigir nada em troca. Quatro livros. Vinte e três países. Três milhões de cópias. E ainda assim, a única vez que alguém realmente me leu, cada vírgula, cada palavra escolhida no limite entre o belo e o insuportável, cada silêncio entre um parágrafo e outro onde eu escondi tudo que não tive coragem de dizer diretamente, foi ele. Não sei o nome dele. Ainda não sei, não o nome de verdade. Só sei o que ele fez com as minhas palavras. As transformou em sangue. E a parte que nunca contarei para ninguém, a parte que o detetive que vai bater na minha porta não pode saber, a parte que destruiria tudo que construí se chegasse à imprensa, é esta: Quando descobri o que ele estava fazendo com as minhas cenas, a primeira coisa que senti não foi terror. Foi inveja.
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Cora Mamãe sempre me alertou para ficar longe da escuridão, insistindo que eu deveria ser uma boa garota. Durante anos, fui impecável, a personificação da perfeição e inocência. No entanto, aquele dia fatídico virou meu mundo de cabeça para baixo. A luxúria se apoderou de mim, e me deixei ser enredada pelo diabo. O diabo não tinha chifres nem cauda; ele era incrivelmente belo e irresistivelmente sedutor. Ele era Raden Krämer. Fugi. Era tudo o que eu podia fazer, tentar escapar. Mas, no fundo do meu ser, eu sabia que ele estava sempre à espreita, observando cada movimento meu. Eu me sentia como uma presa indefesa, uma pequena coelhinha cercada pelos desejos sombrios e insaciáveis de Raden. O medo e a excitação se misturavam dentro de mim, deixando-me dividida entre a vontade de fugir e a atração magnética que me puxava de volta para ele. A batalha entre minha inocência perdida e os desejos obscuros dele consumia minha alma, e eu sabia que, por mais que tentasse, nunca conseguiria escapar completamente.  Raden Krämer. Desde o momento em que a vi, soube que Cora seria minha. Sua inocência brilhava como uma luz, atraindo-me inexoravelmente. Eu a observei, fascinado pela pureza que ela exalava, uma pureza que eu ansiava corromper. Cada fuga dela apenas aumentava meu desejo, tornando o jogo de perseguição ainda mais excitante. Ela podia tentar escapar, mas sabia que a escuridão sempre encontraria uma forma de alcançá-la. Eu era a sombra em seus sonhos, o desejo proibido que ela não conseguia resistir. Cora era minha pequena coelhinha, e eu, o predador determinado a reivindicar o que era meu por direito. Seus medos e desejos a tornavam ainda mais irresistível, e eu sabia que, no final, ela não teria para onde correr. A escuridão, e eu, a consumiriam.

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