PALÍA
Um, dois, três... ação.
As primeiras imagens chegaram da Argélia.
Poucas horas depois, de Angola.
Em menos de um dia, o gelo avançou sobre continentes inteiros.
As plantações morreram.
Os rios pararam.
As cidades silenciaram.
Mas os noticiários continuaram.
RTP: "Hoje o mundo celebra a inauguração do primeiro abrigo lunar."
The New York Times: "A small leap for America and a miracle for mankind."
AZ: "Buenos días a todos. Bienvenidos al nuevo mundo."
Ninguém parecia olhar para a tempestade que se aproximava.
Ninguém parecia compreender que a História estava prestes a congelar.
Entre transmissões interrompidas, gravações incompletas, entrevistas recuperadas e memórias fragmentadas, surge a história de Orion Menson, o homem que tinha tudo.
Ator.
Compositor.
Dançarino.
Milionário.
Uma estrela adorada por milhões.
Quando o mundo caiu, porém, os aplausos desapareceram.
Agora, preso num planeta coberto por gelo, Orion é apenas mais um sobrevivente entre desconhecidos que tentam encontrar respostas para uma pergunta impossível:
Como se continua a viver quando o mundo termina sem aviso?
Palía acompanha os últimos dias da velha humanidade e os primeiros passos de uma nova.
Uma história contada através de câmaras, reportagens, testemunhos, silêncios e erros de gravação.
Uma história onde os protagonistas nem sempre sabem que são protagonistas.
Porque, às vezes, o fim do mundo não acontece com explosões.
Acontece com um simples aviso vindo da sala de controlo.
Corta. Vamos repetir.
Mas desta vez...
já não há segunda tomada.
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