Etheon é lembrado apenas em fragmentos - não como um mundo inteiro, mas como um vestígio de algo que precede a própria lembrança. Diz-se que antes das eras registradas houve uma descida dos Essenciais, e que aquilo que foi tocado por suas mãos nunca mais permaneceu o mesmo.
As terras de Etheon carregam cicatrizes anteriores à história. Montanhas erguem-se como ossos antigos, mares ecoam vozes que não pertencem a nenhum povo vivo, e florestas crescem sobre ruínas cujo nome se perdeu antes de ser pronunciado. Nada ali é verdadeiramente novo; tudo é continuidade de uma origem que se recusa a desaparecer.
Os povos que habitam este mundo caminham sob um peso invisível - não o de um inimigo, mas o de uma criação que ainda não terminou de acontecer. Cada nascimento é uma repetição, cada queda um retorno, cada memória uma sombra de algo mais profundo que permanece fora do alcance da linguagem.
O Cânon de Etheon não é uma narrativa de salvação, nem de conquista. É o registro fragmentado do que ainda insiste em existir apesar do esquecimento. Nele, os princípios da criação se revelam não como luz, mas como ruído antigo, gravado no tecido do mundo antes mesmo que o mundo soubesse que era mundo.
E se há destino em Etheon, ele não se apresenta como promessa - mas como eco.
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