Quando Porto Rico chega à sua primeira Copa do Mundo, o mundo inteiro quer transformar aquela seleção em milagre.
Daniela Arango não acredita em milagres.
Diretora-geral de um documentário da Netflix sobre a campanha histórica porto-riquenha, ela está acostumada a enxergar o que as câmeras oficiais deixam escapar: o gesto antes do passe, o silêncio depois da derrota, a rachadura por trás do mito. Sua função é contar a história de uma ilha inteira entrando em campo pela primeira vez.
O problema é que, no centro dessa história, está Benito Antonio Martínez Ocasio.
Camisa 10 do Real Madrid, capitão de Porto Rico e jogador mais observado do torneio, Benito deveria ser apenas mais um personagem diante da lente de Daniela. Mas três anos antes, durante outro documentário, os dois cruzaram uma linha que nunca souberam nomear. Uma noite. Um bilhete. Um silêncio longo demais.
Agora, entre jogos decisivos, zonas mistas, arquibancadas em combustão e câmeras que registram quase tudo, Daniela precisa decidir até onde pode filmar um homem que conhece melhor do que deveria. Benito, por sua vez, precisa provar que não é apenas o símbolo que todos querem montar em cima dele.
Porque, na Copa do Mundo, uma imagem pode virar lenda.
Mas algumas verdades só aparecem quando ninguém está gravando.
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