"Essa história não é sobre a minha vida, mas também não é totalmente separada de mim. Alguns sentimentos, medos, conflitos e pensamentos dos personagens nasceram de coisas que vivi ou senti. Outros são completamente fictícios. Os personagens representam partes do coração humano, da mente, de traumas, inseguranças, esperança e transformação. Nem todos eles são 'eu'. Às vezes um personagem carrega uma emoção que conheço; outras vezes, ele existe apenas para contar uma boa história. Também não vou deixar esses vestígios em todos os capítulos. Alguns serão apenas sobre a trama, o mundo e os acontecimentos. Então, não faz sentido tentar descobrir onde termina a ficção e onde começa a minha experiência, porque essa fronteira muda o tempo todo."
"Por causa disso, não existe uma única interpretação 'certa'. A história transita entre dois mundos: a realidade e a ficção. Em alguns momentos, um personagem pode carregar sentimentos que realmente conheço; em outros, ele é apenas fruto da imaginação. Por isso, qualquer opinião absoluta acaba sendo limitada. A interpretação mais próxima do que pretendo transmitir é aquela que considera os dois lados ao mesmo tempo: a realidade, que inspira emoções e conflitos, e a ficção, que transforma tudo isso em narrativa. É justamente nesse encontro entre os dois mundos que a história existe."
"Você só precisa descobrir duas coisas: o que é real e o que não é. O difícil é que, nesta história, os dois coexistem. O real aparece nos sentimentos, nas emoções e em alguns conflitos; a ficção está nos acontecimentos, nos personagens e no mundo que construí. Não existe uma linha visível separando um do outro, porque eu escolhi misturá-los. Quem tentar enxergar apenas um lado vai perder metade da história."
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