O intervalo entre os treinos havia se tornado... silencioso demais. Fazia duas semanas que Lanthe não aparecia. Sem passos apressados atrás dele. Sem vozes insistentes. Sem frutas, comentários ou tentativas desajeitadas de aproximação. E, contra toda lógica, aquilo irritava Arrow. Ele sempre quis distância. Então por que aquela ausência incomodava? Naquela tarde, ele a encontrou sentada sozinha, o braço enfaixado. - "Você se quebra e não consegue se curar? Quão idiota você pode ser?" Ela ergueu o olhar, surpresa. - "Não fala assim... eu só não posso usar cura. Tenho que sarar naturalmente." Ele franziu o cenho. - "Por isso parou de me atormentar?" A pergunta saiu seca... mas não vazia. - "Foi por isso também, mas..." Ela hesitou. Os olhos encheram, mas não chorou. - "Mas o quê?" - "Eu não queria que você me visse assim... horrível." Ele a encarou, sem entender. - "Horrível? Porque quebrou o braço?" - suspirou. - "Não seja chorona." - "Eu não sou chorona." - "Tá bom. Você não é chorona." - disse, seco. - "Mas só pra te informar... quando você diz que vai perseguir alguém, não pode simplesmente desistir porque quebrou o braço." Ela arqueou uma sobrancelha. - "Até parece que você se importa." - rebateu. - "Você só tá dizendo isso porque eu não trouxe seus lanches." Dessa vez, o silêncio foi diferente. Mais curto. Mais denso. Arrow não respondeu de imediato. Mas, pela primeira vez... ele não negou.
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