Em Veridia, existe uma regra que ninguém fala em voz alta: se você acordar às 03:17 com gosto de ferrugem na boca, é porque recebeu o Bilhete.
O Bilhete é preto. As letras são prata. E o preço é alto: uma memória. Você escolhe qual vai esquecer pra sempre, e em troca ganha uma passagem no Expresso dos Sonhos. Um trem sem janelas que atravessa a noite da alma e para apenas nas estações chamadas "e se".
Sofia pagou com a única memória que não suportava mais carregar: o amor por Elias. Ele morreu afogado há três anos, na noite em que a última frase dela foi "tomara que você suma". Sem essa lembrança, a dor devia acabar.
Mas no Vagão 7, Assento 13, ela encontra ele.
Mesmo casaco vermelho. Mesmo cabelo molhado. Mesmo nome no bilhete. Só que ele não lembra dela. E ela não lembra dele.
Juntos, eles viajam por estações impossíveis: _Se Eu Tivesse Pedido Desculpa_, _Se Eu Tivesse Ficado Calada_, _Se Eu Tivesse Dito Eu Te Amo_. Cada parada obriga os dois a encarar a briga, o lago, o silêncio e a culpa que os separou.
A regra do Condutor é clara: na Estação Final, quem vive desce sem sua memória. Quem morreu, desce pra continuar morto. Não existe ficar no trem.
A não ser que... eles paguem com outra coisa.
Uma história. Contada do início ao fim, sem pular as partes feias.
*O Expresso das 03:17* é um romance de fantasia melancólico sobre arrependimento, luto e a escolha impossível entre esquecer pra não sofrer, ou lembrar pra amar - mesmo que isso doa pra sempre.
Porque às vezes, a única estação que salva a gente... é aquela que não existe no mapa
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