Antes de existir divisão, medo ou suspeita, existia apenas Rudyon. Um único mundo mágico, vasto e vivo, feito de ilhas, mares, florestas, céu aberto e segredos antigos. Diziam os primeiros registros que o próprio mundo respirava magia, e que cada criatura nascia ligada a uma parte dele. Mas o tempo mudou tudo.
A magia de Rudyon não despertava ao nascer. Ela dormia. Crescia em silêncio dentro de cada criança e só se revelava aos 16 anos. Até lá, ninguém sabia ao certo quem seria realmente. Um filho podia não pertencer ao povo em que nasceu. Uma filha podia despertar uma magia totalmente diferente da família. E, em tempos muito antigos, existiam os mestiços - seres raros que carregavam mais de uma natureza mágica ao mesmo tempo. Hoje, porém, ninguém via um mestiço há gerações.
Foi nesse mundo instável que nasceu a lenda de Templarya.
Templarya era diferente de todos. Diziam que ela carregava em si a memória das areias do tempo, como se tivesse nascido já antiga. Ela viu Rudyon antes da divisão, viu as disputas começarem e percebeu algo que ninguém mais queria aceitar: quando a magia se espalha demais sem controle, o mundo pode se quebrar por dentro.
Então ela tomou a decisão que mudaria tudo.
No centro das ilhas ergueu-se um castelo imenso, majestoso e impossível de ignorar: Kidyan. Não era apenas uma escola. Era um teste, um refúgio, um tribunal e uma promessa. Quem completava 16 anos era chamado para o Método Seletivo de Kidyan. Lá, a magia finalmente despertava, mostrava sua verdadeira forma e revelava a qual povo o jovem pertencia. Só depois disso o destino de cada um começava de verdade.
E era dentro de Kidyan que os jovens permaneciam até os 23 anos, aprendendo a controlar seus poderes, entender a história do mundo e conviver com povos que, fora dali, muitas vezes se odiavam.
Porque Rudyon foi dividido.
Não em pedaços físicos apenas, mas em identidades.
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