O Coração do Diretor Park.
Onde o Café encontra o Soju
O silêncio do 50º andar em Busan era quebrado apenas pelo som rítmico do meu coração. Daqui de cima, as luzes da cidade coreana brilhavam como joias espalhadas no chão, um contraste brutal com as estrelas que eu costumava contar no céu limpo de Gonçalves, em Minas Gerais.
Eu ainda sentia o cheiro do café coado na fazenda, mas o que eu tinha nas mãos era uma taça de cristal fina. Olhei para o lado e vi Ji-hoo. Ele era como um príncipe de um desses dramas de televisão: impecável, poderoso e dono de um olhar que parecia querer me guardar em uma caixa de veludo, longe do resto do mundo.
- Mariana? - a voz dele era rouca, carregada daquela possessividade que eu ainda estava aprendendo a domar. - Onde você está? Seus olhos estão longe de novo.
- Tô aqui, moço. Só pensando que o mundo é grande demais, mas o meu lugar acabou sendo bem aqui, no meio desse seu ciúme bobo e dessa sua mania de ser dono de tudo.
Eu sabia que não seria fácil. Eu era terra, bicho e liberdade. Ele era vidro, tecnologia e controle. Éramos dois mundos colidindo, uma mineira que não aceitava rédeas e um coreano que nunca tinha aprendido a perder.
O que eu não sabia, naquela noite em que aceitei cruzar o oceano por ele, era que o amor dele seria meu maior desafio e minha maior aventura. Eu estava prestes a descobrir que, para o Diretor Park, amar não era apenas um sentimento... era uma conquista. E eu? Eu não estava disposta a ser apenas mais um troféu na sua estante.