A Estrutura do Perdão
Prólogo: O Destino em Dívida
Quando Íris partiu, quatro anos atrás, ela não foi por amor a outro, mas por uma ambição cega. Acreditava que o dinheiro e a liberdade que buscava lá fora seriam o remédio para a vida apertada de estudante que levava ao lado de Teodoro. Ela deixou para trás um futuro em construção e duas filhas gêmeas de apenas oito meses, confiando - ainda que de forma egoísta - que o tempo e a rede de apoio dele cuidariam do que ela não estava disposta a encarar.
O mundo, porém, não foi generoso.
Quatro anos depois, Íris está de volta. Sem nada, sem posses, sem o brilho que ela achou que o sucesso lhe daria. O que a trouxe de volta, além do desespero de quem não tem para onde ir, foi a saudade corrosiva das filhas, que agora, para ela, eram apenas memórias de bebês que ela nunca viu crescer.
Ela conseguiu uma vaga de emprego, uma chance de recomeçar a vida, sem imaginar o que a esperava. Ao chegar à casa onde trabalharia, o mundo de Íris para de girar. Ela não encontrou estranhos. Ela encontrou Teodoro.
Mas não o estudante exausto, cercado por livros de engenharia e dívidas, que ela abandonou. Ela encontrou um homem que, através de muito sacrifício, construiu uma vida sólida e estável, com a ajuda da mãe e o peso de anos de ressentimento.
Para ela, é uma oportunidade de ver as filhas. Para ele, é a invasão de um fantasma que ele jurou ter enterrado. Entre o arrependimento dela e a frieza dele, um novo capítulo começa - onde o emprego que ela buscava pode ser a última chance de redenção, ou a sentença definitiva de um passado que se recusa a morrer.