Todo ano, as crianças que completam dez anos em Eomyr sobem a montanha.
É a Prova das Grandes Águias - um rito tão antigo quanto o próprio reino. Elas partem com uma mochila, uma rota memorizada e uma certeza que o professor-sacerdote repete desde que aprenderam a falar: uma Grande Águia jamais escolhe uma criança. São as crianças que conquistam as Grandes Águias. Lá no pico, com o cristal certo na mão, é assim que se faz. Sempre foi assim.
Neste grupo, são dez. Jimly é um deles.
Jimly não é o mais rápido, nem o mais corajoso, nem o que vai voltar com a maior águia do reino. É o tipo de menino que para no meio do caminho para ajudar um amigo, que decora o mapa por curiosidade, que nota as pequenas figuras entalhadas na pedra que ninguém mais olha. Não seria, em nenhuma história, o herói mais provável desta jornada.
A montanha, porém, não lê mapas.
O que começa como uma prova de coragem se torna, muito rapidamente, outra coisa: lobos que arrastam companheiros para as sombras, um pântano que devolve o que nele se joga, uma criatura estranha que sabe construir coisas enquanto todo o mundo dorme. E uma verdade que começa a emergir: talvez o reino não conte a história toda. Talvez nunca tenha contado.
A Prova das Grandes Águias é uma aventura sobre o que se perde quando uma tradição esquece sua própria origem - e sobre um menino que, sem querer, começa a lembrar.
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