Em Caleth, planeta industrial esquecido nas franjas da União, o ar cheira sempre a metal queimado e os dias repetem-se como turnos de fábrica. Oryn é só mais um rapaz sem ambições que mereçam esse nome - até à noite em que ele e os amigos decidem invadir a casa de um traficante de armas, à procura de nada mais do que uma história para contar depois.
Lá dentro encontram uma arma que não devia existir. Tecnologia alienígena, proibida, um mito mais do que um objecto - até Oryn lhe tocar. Não sente uma explosão. Não sente poder. Sente apenas um formigueiro, quase nada, uma coceira que passa em segundos.
O amigo ao seu lado não tem tanta sorte.
Não há tempo para perceber o que aconteceu antes de fugir. Não há tempo para chorar antes de os pais lhe revelarem um segredo maior do que ele: o gene corre-lhe nas veias desde que nasceu, e o pai já matou por ele antes - um médico, décadas atrás, numa sala esquecida de que Oryn nunca soube nada até agora.
Fugir de Caleth significa confiar num homem que o pai conhece de outra vida. Um homem com preço, não com lealdade. Oryn adormece sob o efeito de uma droga que lhe esconde o que é, e acorda em Vorne - fronteira, campo de guerra, terra de ninguém entre dois impérios - sem nome, sem valor, sem ninguém que saiba quem ele podia ser.
O que Vorne lhe vai ensinar é que sobreviver e ser visto são coisas diferentes. E que, por vezes, a coisa mais perigosa que existe é ser subestimado por quem devia ter medo.
Antes do general. Antes do Conselheiro. Antes de tudo - um formigueiro, e um corpo no chão.
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