O mundo era uma bola. Uma esfera perfeita de couro branco, costurada à mão, que girava sob a luz do estádio como um pequeno sol. E para Kim Namjoon, naquele instante, o mundo tinha apenas um destino: o fundo da rede.
Ele sentiu o toque. A sintonia perfeita com a chuteira. Seu pé direito, uma extensão de sua alma, encontrou a esfera no ângulo exato. O impacto foi seco, certeiro. Um som que, para ele, era mais doce que qualquer sinfonia. A bola, como um projétil guiado pela própria vontade do destino, curou a defesa, enganou o goleiro e beijou a rede com a violência de quem finalmente chega em casa.
Silêncio.
Por um segundo, o mundo prendeu a respiração. Sessenta mil almas em êxtase contido, os olhos fixos naquele fenômeno.
Namjoon caiu de joelhos. As lágrimas, que ele havia prometido controlar, rolavam quentes por seu rosto, misturando-se ao suor e à grama. Seus companheiros o soterraram em um abraço tão pesado quanto o troféu que iriam levantar. Ele era o herói. O capitão. O gênio que, com um gol de placa, havia inscrito seu nome na história imortal do futebol.
Foi numa comemoração tola. Um salto mais alto, uma aterrissagem em falso sobre o ombro de um colega. Ele sentiu o estalo. Não foi um ruído alto, não foi um grito de dor. Foi um pop seco, interno, como o ar que escapa de um pneu furado. A perna direita, a mesma que havia ditado o gol do título, pareceu se desligar do resto do seu corpo. A força o abandonou. A luz se apagou.
Quando abriu os olhos, estava numa cama dura, num quarto branco e estéril, com o cheiro inconfundível de antisséptico. Um médico de jaleco azul, com uma expressão que tentava ser profissional, mas não escondia a gravidade, segurava uma radiografia.
"Ruptura total do ligamento cruzado anterior, Kim Namjoon-ssi. Danos no menisco. A cirurgia foi um sucesso, mas a recuperação..."
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