Jennie Kim odiava Roseanne Park com todas as suas forças.
Odiava tudo que vinha dela: o sorriso, o tom de voz baixo e provocador, o cheiro que ficava no ar depois que ela passava, o jeito como seus olhos pareciam rir de um segredo que só ela conhecia. Odiava cada detalhe que a fazia lembrar da loira, como se a mera existência de Roseanne fosse uma ofensa quase pessoal.
Era um ódio visceral, quente, que queimava por dentro como um fogo que Jennie alimentava todos os dias. Um fogo que ela mantinha vivo deliberadamente, como se fosse a única coisa capaz de mantê-la de pé. Para o mundo, para os amigos, para si mesma, ela repetia sempre a mesma coisa: não existia ninguém que ela desprezasse mais do que Roseanne Park Chaeyoung.
E ela quase acreditava nisso.
Porque, no fundo, por baixo de toda aquela raiva explosiva, existia algo ainda mais perigoso. Um sentimento que Jennie se recusava a nomear, mas que a consumia com a mesma intensidade, talvez até mais. Um desejo que se misturava ao ódio até que ambos se tornassem indistinguíveis.
Roseanne sabia.
Sempre soube que havia algo errado naquele ódio.
E, pela primeira vez, estava decidida a descobrir o quê.
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