A nutricionista de risco - Erick pulgar
Elena nunca foi de sorrisos fáceis. Profissional objetiva, direta, não perdia tempo com conversas fiadas. Quando chegou ao Flamengo, deixou claro: ali era trabalho, nada pessoal. Pulgar, no entanto, viu nela um desafiro particular.
Desde os primeiros dias, o chileno encontrava brechas para provocá-la longe dos holofotes. Um comentário baixo sobre o almoço ser sem graça, uma observação sobre ela estar sempre de cara fechada, um "você devia relaxar, Elena" dito só para os dois ouvirem. Ela revidava com um olhar de gelo e uma resposta curta e grossa: "Foca no seu treino, Pulgar." Ou então apenas virava as costas. Nunca dava corda.
Mas o chileno era insistente. E Elena, apesar da fachada, começava a perceber que aquelas provocações a atingiam mais do que deveriam.
No Mundial do Catar, a convivência forçada na concentração, o calor abafado de Doha e a tensão da final fizeram a faísca crescer. As provocações ficaram mais frequentes, os encontros casuais no corredor do hotel, mais carregados. Elena ainda tentava cortar com frases secas, mas já não saía tão rápido. Pulgar notou.