O Colégio Privado Sungwon era conhecido por duas coisas: a disciplina impecável e o peso dos sobrenomes que cruzavam seus portões. Para os alunos do primeiro ano do ensino médio, a rotina costumava ser um ciclo sem fim de simulados e cobranças. Mas, para duas garotas de dezesseis anos, a dinâmica do ambiente era completamente oposta.
De um lado da sala 1-A estava Lee Doona. A representante de turma exemplar, inteligente, com notas perfeitas e uma postura irretocável. Por trás da figura compenetrada, Doona tinha a sorte de voltar para uma casa acolhedora; seus pais, de uma família abastada e compreensiva, apoiavam abertamente sua bissexualidade - algo que ela custou a ter coragem de revelar, mas que hoje aceitava com mais tranquilidade ao lado do carinho da família e da energia sem fim de sua irmãzinha de cinco anos. Era a queridinha dos professores e do diretor, fruto do seu esforço genuíno e da sua dedicação impecável.
Do outro lado, encostada perto da janela e mantendo o olhar distante, estava Kim Yuna. Se a família de Doona era rica, a de Yuna pertencia a um patamar três vezes mais exclusivo - e infinitamente mais rígido. Em sua casa, onde era filha única, a palavra "expectativa" pesava como chumbo, e sua sexualidade era um assunto completamente sufocado pela falta de apoio. Como resposta velada a essa pressão, Yuna escolheu o desleixo. Não era uma garota violenta ou uma rebelde que procurava confusão; apenas parecia não se importar com nada. Escondia-se atrás do uniforme desalinhado e de notas limítrofes. Yuna também era paparicada pelo diretor, mas por razões opostas: o homem era amigo de infância de seu pai e a vira crescer desde muito pequena, o que garantia a ela uma vista grossa quase injusta frente às suas faltas de compromisso.
Embora dividissem o mesmo ar na sala 1-A, as duas eram como dois polos que nunca se chocavam. Até aquele final de tarde.
Hak Cipta Terpelihara