Achi sempre foi invisível. Na escola nova, ele se senta no fundo da sala, almoça sozinho e evita olhar nos olhos de qualquer pessoa. É mais fácil assim ninguém o nota, ninguém o incomoda.
Até que Augar senta à sua mesa.
Sem explicação, o garoto mais popular da escola começa a dividir o almoço com ele. Primeiro é o frango frito. Depois um pudim. Depois um moletom emprestado nos dias frios. Achi espera uma pegadinha, uma aposta entre os amigos mas a atenção não vai embora.
Augar continua aparecendo. Senta ao seu lado na biblioteca, espera no corredor, caminha no mesmo ritmo quando voltam para casa. Não fala muito e Achi nunca sabe o que ele está pensando.
O que começa como uma curiosidade silenciosa se transforma em amizade, depois em algo que Achi não consegue nomear. Cada gesto de Augar - uma mão no ombro, um olhar mais longo, um "você está bem?" dito com suavidade vai desmontando suas defesas.
A história de Augar e Achi é sobre dois invisíveis que se encontram: um que se escondeu a vida toda, e outro que sempre foi visto, mas nunca compreendido. É sobre aprender a ocupar espaço no mundo do outro - e descobrir que, às vezes, as laranjas que caem no quintal errado são as que fazem a árvore mais feliz.
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