Destinados ao morro
Lara tinha apenas vinte anos quando perdeu a mãe em um acidente de carro - e de uma hora para outra, além de dar aulas, passou a cuidar de Kiara, sua irmã de dezesseis anos. Mas a dor que uniu as duas também as afastou: Kiara, consumida pela raiva e pela perda, se rebelou de vez. Passou a frequentar bailes funk, subir o morro e voltar cada vez mais tarde, até que uma noite simplesmente não voltou.
Sem pensar duas vezes, Lara fez o que nenhuma pessoa do asfalto teria coragem de fazer: subiu o morro à noite, sozinha, atrás da irmã. Lá em cima, entre luzes, som e um mundo que não era o dela, encontrou Tainá - a Nina, uma menina do morro que decidiu ajudar sem pedir nada em troca. E foi quando continuou subindo, até o topo, que ela o encontrou.
Kauã, o Lobo, o dono do morro. Homem que comanda com medo e respeito, que não deixa ninguém invadir seu território - até ver ela ali, frágil mas destemida, vinda de outro mundo, só por amor. Dois mundos que não deviam se tocar. Duas vidas que o destino insistiu em cruzar. E lá de cima, o Cristo Redentor parece observar cada passo, cada escolha, cada coração que se encontrou onde ninguém imaginava que poderia.
Ele é o Lobo do morro. Ela é a luz do asfalto. E o morro... o morro sempre cobra o que é destinado a ele.