Paloma Márquez tem quarenta e poucos anos, quatro filhos, um restaurante à beira da falência e nenhuma paciência para mais promessas vazias. Vinte e dois anos depois de abrir a Casa Márquez com a receita da avó e a coragem emprestada de uma tia, o banco recusou-lhe o empréstimo, os fornecedores esperam pagamento, e a única coisa que ainda lhe pertence por inteiro é o mole negro que faz às cinco da manhã, antes de a casa acordar.
É nesse momento que Gael Ortega liga.
Ele propõe-lhe um contrato tão estranho quanto irrecusável: dinheiro em troca de verdade - cada prato novo construído a partir de emoções reais, provadas primeiro por ele, sem encenação nenhuma. Paloma aceita porque precisa. Fica porque, pela primeira vez em vinte anos, alguém a olha com fome de a conhecer inteira, não só de a consumir aos poucos.
Entre chiles en nogada carregados de luto antigo, cordeiro servido como desafio de poder e um caldo turvo feito para dias em que a vergonha precisa de mudar de dono, Paloma vai aprender que recomeçar não é regressar a quem se era - é descobrir, finalmente, quem sempre se teve fome de ser.
Comidas Quentes e Olhos Frios é uma história sobre fome verdadeira: a de comida, a de corpo, a de ser vista por inteiro depois de uma vida a servir-se em pedaços.
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