Gerluce Maria das Graças, aos 32 anos, é uma renomada pintora cuja trajetória foi marcada pelo talento, pela determinação e por uma vida pessoal cuidadosamente preservada dos holofotes. Outrora, foi esposa do respeitado delegado Paulo Reitz, de 34 anos, com quem compartilhou oito anos de uma relação que, apesar das adversidades, deixou entre ambos um vínculo aparentemente indissolúvel.
Dessa união nasceu Otto, de apenas seis anos, a maior e mais preciosa ligação entre os dois - e talvez a única razão pela qual jamais conseguiram se afastar completamente.
O casamento, entretanto, sucumbiu gradualmente à convivência desgastada, às divergências e às circunstâncias que, pouco a pouco, transformaram aquilo que um dia os unira em algo difícil de sustentar. Após a separação, Gerluce e Paulo fizeram do silêncio um pacto: enterraram sentimentos que julgavam inconvenientes e passaram a convencer a si mesmos de que o passado deveria permanecer exatamente onde estava.
Mas algumas coisas não obedecem ao tempo.
Por anos, ambos se empenharam em ocultar de si mesmos uma chama que, apesar da distância, das mágoas e das diferenças, jamais pareceu completamente extinta. Agora, obrigados a conviver novamente pelas circunstâncias que envolvem o filho, terão de confrontar não apenas as feridas que ficaram pelo caminho, mas também tudo aquilo que escolheram ignorar.
Será que conseguirão deixar as diferenças de lado e finalmente reconhecer aquilo que passaram tanto tempo tentando esconder até de si mesmos?
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