Erick Pulgar nunca foi conhecido por ter muita paciência, muito menos por esconder quando alguma coisa o incomodava.
Por isso, talvez não fosse uma boa ideia mencionar, diante dele, que você conhecia Elle Silva melhor do que ele.
- Ela odeia estádios - Paquetá comentou casualmente.
Erick ergueu os olhos.
- Como você sabe?
A pergunta veio simples demais para ser apenas curiosidade.
Paquetá percebeu.
E sorriu.
Era estranho ver o chileno daquele jeito por causa de uma mulher que, até poucos meses atrás, sequer fazia parte da sua vida.
Mas Elle havia se tornado uma exceção.
A garota que conseguiu entrar na rotina de Erick sem pedir permissão. Que recebia suas mensagens durante os treinos, suas fotografias aleatórias e suas ligações nas madrugadas. A mesma mulher que ainda conseguia fazê-lo sorrir sozinho olhando para o celular.
E talvez fosse justamente isso que o incomodasse.
Ele queria conhecê-la por inteiro.
Queria ser o primeiro a perceber quando ela estava nervosa, o primeiro a saber quando alguma coisa a assustava e, principalmente, queria ser aquele em quem ela confiaria quando precisasse de proteção.
Naquela noite, quando o caos tomou conta do estádio, Erick descobriu até onde iria por ela.
No meio da confusão, entre gritos, pedras e torcedores em confronto, ele só conseguia procurar uma pessoa.
Elle. Quando finalmente a encontrou, não pensou duas vezes antes de colocá-la atrás de si, no ônibus cercado, usou o próprio corpo para protegê-la.
Mas tudo começou em São Paulo, antes de tudo, quando uma jovem estudante de Gastronomia decidiu aproveitar alguns dias de folga e acabou atropelando um jogador do Flamengo.
Elle só queria assistir à Fórmula 1.
Erick só queria atravessar a rua.
Nenhum dos dois imaginava que aquele acidente daria início a meses de conversas, provocações, madrugadas compartilhadas e uma aproximação que nenhum deles planejou.
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