Nossa sociedade recalca em sua consciência um pecado original. Pelo que esta obra revela, a história aqui narrada parecerá ao leitor mais importante, talvez, do que numerosas análises sociológicas. A atração dos jovens personagens Suzana e Rafael pelas drogas, pelo sexo desenfreado e pelo crime é um fenômeno gerado pela própria sociedade. É nas famílias, nas escolas, nas ruas que nascem esses flagelos, geralmente considerados uma doença do capitalismo. O testemunho que a jovem Suzana nos fornece nos ensina ainda outra coisa: o caminho que leva à libertinagem, à droga e ao crime não é traçado pelas excentricidades de adolescentes marginais, mas por problemas relacionados a um sentimento de alienação e de isolamento na sociedade. Ao término da leitura deste livro muitos leitores se perguntarão, e com razão, quem é o mais "pecador": a infeliz Suzana, drogada e delinquente, ou o meio social?
Na realidade, Suzana, Rafael e seus amigos afastaram-se das "normas sociais" refugiando-se na "marginalidade". Isso para escapar às pressões da adaptação, da "normalidade", para se proteger da despersonalização em que vive a sociedade. O que buscava Suzana ao se envolver com Rafael? Um pouco de solidariedade, de paz e de amor ou relações sexuais abusivas, sadomasoquismo ou aberrações sem limites? O vício nas drogas, o alcoolismo e seus efeitos secundários - como a prostituição, o "comportamento desviante" - são amplamente disseminados. Mas por que são tão pouco conhecidos? A narrativa da vida dupla de Suzana nos fornece algumas explicações que os leitores ficarão conhecendo para concordar ou discordar.
Todos los derechos reservados