siamese > luke hemmings

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WpMetadataNoticeLast published Sun, Aug 30, 2015
Sou assombrado desde que nasci. Assombrado pelo que quero dizer e não posso, assombrado pelo que disse e não devia, assombrado pelo que quis dizer e não disse: assombrado pelos meus pensamentos. Talvez seja por isso que penso tanto, desejo tanto, quero tanto. Talvez seja por isso que observo as pessoas, analiso as pessoas, respiro as pessoas e a sua hipocrisia. Sou o autor deste livro; sou o grito que quis sair e não conseguiu. Sou o interlocutor. Represento uma nação, um futuro de uma geração que tem muito a acrescentar mas pouco a dizer. Mas eu já fui uma criança. Não tinha mágoas, pontos e vírgulas a acrescentar, café para beber ou frases profundas e pensamentos a pulsarem-me no peito. Mas todas as crianças são diferentes. Há crianças que nascem num berço de ouro e crescem entre dinheiro, abundância, uma família de aparências e acabam por crescer para ser médicos, advogados e líderes mundiais; há crianças menos sortudas que, por sua vez, nascem num berço de bronze e crescem entre o dinheiro suficiente para viver, comer e ser feliz. Talvez essas sejam realmente as crianças que vivem. Não crescem para ser nada além delas mesmas. São essas, porém, que gritam por liberdade, por respeito, por direitos. Há crianças. Nascem milhares, quem sabe milhões de crianças por dia em berços de ouro, prata, bronze. Eu não nasci num berço. Na realidade, eu e as minhas duas irmãs nascemos num beco escuro duma noite gelada de Dezembro há 17 anos atrás, rodeados por chuva, vento, dúvidas, mágoas, nódoas negras e gritos. Talvez por ter nascido primeiro fui o que tive menos sorte e o que nasceu mais revoltado. Talvez, por ser o primeiro a ter nascido, estivesse destinado à grandeza. À grandeza das questões. Não interessa. Nada mais interessa. Só sei que, agora, 17 anos depois, a coisa que eu mais quero é vingança. E respostas.
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Algumas pessoas entram na sua vida para nunca mais sair. Não importa quantos anos passem, quantos continentes separam vocês. Algumas histórias simplesmente se recusam a acabar A minha começou anos atrás, quando ainda era um garoto estúpido o suficiente para acreditar que confiança era algo indestrutível. Que o laço entre duas famílias não poderia ser cortado com um único golpe. Mas eu aprendi rápido que lealdade não significa nada quando dinheiro e poder estão em jogo Agora, estou na Suíça, num internato onde a elite do mundo inteiro é jogada como peças em um tabuleiro. Aqui, status é tudo, e o nome no seu uniforme diz mais sobre você do que qualquer palavra. Mas algumas coisas não mudam... Como o peso de um sobrenome que um dia esteve ao lado do meu, mas que agora carrega apenas ressentimento e promessas quebradas Eu não queria vê-la de novo. Mas o destino tem um senso de humor cruel, e quer mesmo saber o que eu acho sobre ele? Um completo idiota Ela está aqui. Nos mesmos corredores, respirando o mesmo ar, compartilhando as mesmas salas de aula. A lembrança do passado pulsa entre nós como um corte que nunca cicatrizou. E se tem algo que eu aprendi sobre feridas abertas... É que uma hora ou outra, elas começam a sangrar de novo.

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